Gestão de ativos na engenharia se torna peça-chave para gerar valor e inteligência operacional

Por Conexão Construção 11/11/2025 - 10:50 hs
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Gestão de ativos na engenharia se torna peça-chave para gerar valor e inteligência operacional
Álida Morales, engenheira civil especialista na Vizca Engenharia

Por Álida Morales *

Tradicionalmente, a gestão de ativos em engenharia foi tratada como um processo burocrático, restrito à documentação técnica e à rotina administrativa. No entanto, o cenário atual exige uma nova ótica, em que a gestão de ativos deve ser compreendida como um elemento estratégico desde as fases de projeto e construção, capaz de gerar valor tangível ao cliente e impacto positivo à dinâmica financeira das empresas contratantes.

Quando bem estruturada, essa gestão possibilita, por exemplo, iniciar o reconhecimento contábil dos ativos que compõem o empreendimento de forma segmentada, assegurando conformidade regulatória e retorno financeiro mais rápido. Com isso, uma gerenciadora de engenharia qualificada tem o papel de otimizar esse processo, gerando valor e vantagem competitiva para seus clientes. Para que isso aconteça, o ponto de partida é garantir a coleta, organização e validação detalhada de toda a documentação técnica do projeto.

Esse cuidado envolve a elaboração precisa dos registros do “como construído”(As built) e a compilação completa de informações para cada ativo, utilizando listas de verificação estruturadas e mecanismos de validação contínua. Assim, cada componente do ativo passa a contar com um histórico técnico claro e confiável, essencial para o planejamento de manutenção e para o cumprimento das exigências regulatórias.

A ausência ou a fragmentação dessas informações, muitas vezes observada na transição do projeto para a operação do ativo, aumenta o risco de retrabalhos, inconsistências e custos adicionais, e também dificulta o planejamento de manutenções, o dimensionamento adequado de insumos e eleva a incidência de incidentes operacionais ao longo do ciclo de vida do ativo. A consolidação tardia desses dados pode comprometer a eficiência e a rentabilidade por meses.

Por isso, a adoção de plataformas digitais interoperáveis e georreferenciadas possibilita o armazenamento e a análise dinâmica de dados, permitindo identificação da localização do ativo de forma precisa e a integração direta com os sistemas operacionais das empresas. Essa abordagem promove uma visão unificada e estratégica do portfólio, tornando as decisões mais assertivas, embasadas em dados georreferenciados, e aumentando a eficiência operacional e a capacidade de resposta diante de incidentes ou eventos críticos.

O mercado global de gestão de ativos foi estimado em US$ 458,02 bilhões em 2023 e deve atingir US$ 3.677,39 bilhões até 2030, crescendo a um CAGR de 36,4%, de acordo com relatório da Grand View Research, impulsionado pela rápida digitalização, avanços tecnológicos e pela demanda crescente por eficiência operacional em diversos setores. Segundo levantamento da Hubina, negócios que adotaram IA em suas rotinas reduziram os erros operacionais em até 60% e o tempo gasto em atividades rotineiras em até 50%.

Com um bom entendimento das complexidades regulatórias e de valoração, equipes são mais bem capacitadas a orientar a documentação e os processos de forma que maximizem o reconhecimento do investimento na base de ativos dos clientes, atendendo plenamente às exigências dos órgãos reguladores. Consequentemente, garante-se que o capital investido em infraestrutura seja devidamente reconhecido e remunerado, otimizando a saúde financeira da operação e minimizando riscos de não conformidade, evitando multas e sanções. 

A gestão deve ser guiada por uma visão holística e de longo prazo, que abranja todo o ciclo de vida do empreendimento — da concepção e implantação à operação e eventual desmobilização. Essa abordagem garante que as decisões tomadas ainda na fase de projeto sejam direcionadas para otimizar a performance, a durabilidade e o custo total de propriedade do ativo. Como consequência, obtém-se maior confiabilidade, redução de custos operacionais e uma manutenção mais eficiente, preditiva e sustentável.

Quando conduzida com visão estratégica, digitalização e governança eficiente, a gestão de ativos deixa de ser uma função administrativa para se tornar um verdadeiro vetor de valor contínuo e inteligência operacional. Trata-se de um pilar fundamental para o futuro da engenharia, capaz de alinhar eficiência técnica, retorno financeiro e sustentabilidade de longo prazo.

(*) Álida Morales, engenheira civil especialista na Vizca Engenharia